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A educação inclusiva dos deficientes visuais

Alguns leitores do site da Turminha do MPF ficam curiosos para saber quais são as dificuldades que o Alex enfrenta em razão da sua deficiência visual. Para esclarecer os amigos da Turminha, resolvemos explicar algumas características da aprendizagem e adaptação das crianças cegas nas escolas. Nossa pesquisa baseou-se em informações publicadas no manual de Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado de Alunos com Deficiência Visual, do Ministério da Educação.

Vamos então fazer um exercício para tentar entender como é a percepção de uma criança deficiente visual? Imagine que você chegasse pela primeira vez na sua nova escola com uma venda nos olhos e, ao entrar na sala de aula, não soubesse onde estão as carteiras nem a mesa da professora. Ouviria várias crianças falando ao mesmo tempo e não conseguiria entender direito o que elas diziam. Você também ficaria desorientado porque não saberia para que lado caminhar nem onde sentar-se.

professor Ari

Nós, que estamos acostumados a compreender o que se passa a nossa volta principalmente através das informações visuais que recebemos, ficaríamos muito perdidos se passássemos por essa experiência. Mas, por outro lado, ela nos ajudaria a entender a situação de desvantagem vivida pelas crianças deficientes visuais quando buscam identificar as informações passadas pelo ambiente sem o uso da visão, um dos sentidos mais utilizados para conhecer a realidade a nossa volta.

Sem enxergar, elas são obrigadas a captar todas as informações que necessitam através dos outros sentidos, o que faz com que desenvolvam a audição, o tato, o olfato e o paladar de forma aguçada, pois a necessidade as obriga a utilizá-los de forma contínua. A habilidade que elas têm de atribuir significado a um som sem perceber visualmente a sua origem é difícil e complexa.

Aprendizado

Como a falta de informação visual restringe o conhecimento em relação ao ambiente, é necessário incentivar nessas crianças o comportamento exploratório, a observação e a experimentação para que elas possam ter uma percepção mais ampla do que acontece a sua volta. Elas precisam manipular e explorar os objetos para conhecer suas características, fazer uma análise detalhada das partes e tirar conclusões.

Mas a falta da visão não interfere na capacidade intelectual e cognitiva das crianças cegas. Elas têm o mesmo potencial de aprendizagem e podem demonstrar um desempenho escolar equivalente ou superior ao dos alunos que enxergam, mas isso se tiverem as condições e recursos adequados. No entanto, elas podem ser mais lentas na realização de algumas atividades, pois a percepção tátil demanda mais tempo para ser analisada e compreendida do que a visual.

Os deficientes visuais têm a mesma vontade de aprender que as outras crianças, a mesma curiosidade e as mesmas necessidades de carinho, proteção, recreação e convívio social para se desenvolverem de forma harmoniosa intelectual e emocionalmente.

Eles também têm os mesmos direitos e deveres dos outros alunos, mas só podem ter oportunidades iguais se suas diferenças forem respeitadas. É importante também que na relação com eles se evite a fragilização e superproteção, e que se combata as atitudes discriminatórias.

Comunicação

Na interação com os deficientes visuais, os pais, amigos e professores precisam criar o hábito de evitar a comunicação gestual e visual. Para motivar a aprendizagem os professores devem ter o cuidado de nomear, explicar e descrever, de forma precisa e objetiva, as cenas, imagens e situações que dependem de visualização. As referências em termos de localização espacial devem ser faladas, e não apontadas com gestos e expressões do tipo aqui, lá, ali, que devem ser substituídas por direita, esquerda, tendo como referência a posição do aluno.

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