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Uso correto da internet: educadoras contam experiência do Colégio Mackenzie

Em entrevista para o site da Turminha, a orientadora Vânia Peralta e a coordenadora de educação básica, Rosimeiry Castro, falam sobre projeto pedagógico que o Colégio  Presbiteriano Mackenzie, em Brasília, desenvolve com o objetivo de ajudar na convivência entre os estudantes, lembrá-los dos valores e ensiná-los a manter uma convivência saudável e respeitosa.  A entrevista foi feita quando da realização, como parte do projeto,  de palestra que visou conscientizar os alunos sobre a responsabilidade e os cuidados que precisam ter na hora de postar mensagens na internet. Confira:

1. Qual é o objetivo do projeto?

Vânia – É fazer com que reflitam sobre as próprias posturas. A gente consegue, sim, promover mudanças e reflexão. Mobilizamos a família, os professores, todo mundo. É um conjunto sistêmico. Todos devem se envolver. O projeto é dinâmico e contínuo, tem que ser o ano todo. Não pode ficar só em uma palestra, até porque os efeitos dela passam rápido. Tem que ser todo dia, todo momento, com texto, música, filme. Esse tipo de material faz com que eles registrem mais. A orientação da palestra é técnica também. O supervisor técnico, Dênis Brandão, explica o que acontece quando você coloca uma imagem, ou um texto ofensivo. Ele aborda, ainda, as questões legais, como devem se comportar na internet e quais cuidados devem ter.

Rosimeiry – Acreditamos que para ter eficácia em um projeto assim tão amplo, de formação de pessoas, precisa ser contínuo. Não pode ser apenas uma ação. Não pode acabar com uma palestra. Esse tema deve englobar várias ações pedagógicas.

2. Além das palestras, que outras ações o colégio promove para alertar os alunos quanto aos prejuízos do bullying e do cyberbullying?

Vânia - É um projeto que não fica só na palestra. Ela é um ponto inicial. Os principais objetivos desse projeto são: ajudar na convivência entre os estudantes, lembrá-los dos valores e ensiná-los a manter uma convivência saudável e respeitosa. Desenvolvemos várias dinâmicas, entre elas, a do respeito, da solidariedade, a de saber ouvir o outro e a de aprender a conviver com as diferenças. Todas elas são extremamente importantes, porque nós somos diferentes e pensamos diferente. Precisamos ser tolerantes, pois sem a tolerância fica muito difícil a convivência.

Rosimeiry – Trabalhamos durante todo o ano com uma linha de projeto. Uma coisa puxa a outra. No conteúdo de ensino religioso, por exemplo, trabalhamos um livro com o tema Somos Todos Diferentes. Durante todo o ano temos ações dentro do conteúdo, dentro dos componentes curriculares, que reforçam todas essas ações e valores que consideramos muito importantes. E a atuação da orientação educacional é muito forte nesse ponto, porque lida diretamente com os estudantes.

3. Os alunos gostam desse projeto?

Vânia – Gostam muito. Temos atividades divertidas também e, entre elas, fazemos a dinâmica do Anjo. O objetivo é aprender a cuidar do próximo, conhecer a pessoa, descobrir o que ela gosta. Os alunos passam duas ou três semanas cuidando um do outro. Eles mandam bilhetinhos, chocolates. É muito interessante. E todo mundo se envolve, inclusive os professores. Depois eles fazem um relato de como se sentiram, tanto o que cuidou, como o que recebeu cuidados. O interessante dessa dinâmica é que eles passam a olhar para os colegas com um olhar mais sensível. E se nós formos parar e pensar, veremos que não é fácil cuidar de alguém.

4. Qual é o papel do professor no sentido de orientar os alunos e tomar providências em caso de bullying e cyberbullying dentro da sala de aula?

Rosimeiry - Quando o assunto surge em sala de aula os professores são orientados a fazer interferência imediata. Algumas situações demandam mais atenção e, nesse caso, são encaminhadas para a orientação educacional e comunicamos a família. Hoje, o principal foco são as redes sociais. A nossa orientação é para que eles utilizem de forma positiva e não para a depreciação.

Vânia – É exatamente isso que ele vai abordar na palestra. A internet é realmente uma ferramenta fantástica, de comunicação rápida. Para pesquisa, então, é ótima. Mas a conversa online deve ser amigável e respeitosa. Na maioria das vezes, o mau uso que é perigoso. Quem pega uma informação, um comentário, uma imagem vai fazer o que com esse material? Na palestra, os alunos vão ouvir o risco que eles correm ao postar as coisas na internet. Inclusive, queremos convidar os pais para essa palestra, porque eles, muitas vezes, não sabem como lidar. Eles não sabem como colocar os filtros, como bloquear, ou como orientar e supervisionar o filho. Outra coisa, o perigo não é só a pedofilia. O que é feito das imagens entre os próprios colegas também é preocupante. Quando acontece esse negócio do bullying, a exposição é muito grande. Compromete também a questão emocional do estudante. Tem sempre alguém lembrando, infelizmente.

5. E caso algum aluno seja vítima de cyberbullying, qual é o procedimento?

Vânia – Nunca peguei casos muito graves. O que acontece são situações de pessoas incomodadas porque o colega fica fazendo comentários pejorativos. A primeira coisa que fazemos, nesse caso, é chamar os envolvidos e fazer uma reunião entre eles. Então, orientamos que a vítima comente o que está sentindo. Geralmente, o grupo se sensibiliza e para. Quando acontece de não parar, envolvemos a família. Mas é muito difícil isso acontecer. E quando comunicamos a família, ela nunca sabe o que está acontecendo, é sempre uma surpresa.

6. E no caso do aluno que é vítima e não expõe os seus sentimentos? Como vocês percebem que ele está sofrendo bullying ou cyberbullying?

Vânia – Sim, têm alunos que estão sendo vítimas e não falam para ninguém, mas a gente percebe porque modifica o comportamento. Eles, normalmente, ficam mais introspectivos e tem uma queda no rendimento escolar. A participação em sala de aula também diminui. Às vezes, essa alteração no comportamento, faz com que surja uma agressão física ou verbal. Muitas vezes a criança que pratica também pode estar sendo vítima, por isso ela utiliza esse recurso de ofender. De repente, ela também não está bem na rede de relacionamento. Talvez, esteja isolada e encontra na internet um recurso para poder devolver essa raiva. É preciso pesquisar, investigar e descobrir o que realmente está acontecendo. 

Leia também: Turminha acompanhou palestra sobre ciberbullying e segurança na internet

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