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Como acabar com a fome e a miséria?

Esta foi a pergunta da Renata J. F. G., de 13 anos. Ela também perguntou: Como isso está sendo tratado no Brasil?

Resposta do professor Ari: O Brasil vem realizando programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, no qual as famílias mais pobres recebem uma pequena ajuda financeira mensal em troca de manter os filhos na escola e com todas as vacinas em dia. A merenda escolar, obrigatória nas redes públicas de ensino, ajuda a combater a desnutrição infantil, e as vacinas impedem que as crianças adoeçam de tuberculose, hepatite B, coqueluche, meningite, paralisia infantil, diarreia por Rotavírus, difteria, tétano, sarampo, rubéola, caxumba e febre amarela.

A fome e a miséria também podem ser combatidas com políticas de inclusão social que ajudem a dar emprego e melhores salários para os jovens que não tem condições de chegar à universidade e estudar por muitos anos. Oferecer a eles cursos gratuitos de formação profissional no ensino médio é uma forma de ajudá-los a ter uma renda mais alta e condições de dar às suas famílias uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais básicas.

Trabalho infantil - Além de uma boa alimentação, de vacinas e de atendimento médico adequado, as crianças necessitam de apoio para que sigam estudando, pois muitas deixam a escola muito cedo para ajudar seus pais a sustentarem a família. O trabalho infantil prejudica a criança não só agora, impedindo-a de brincar e frequentar a escola, mas também tira dela a possibilidade de um futuro digno, pois sem estudo não poderá ter um bom salário para manter sua própria família.

Acabar com o trabalho infantil é uma das condições para se combater a fome e a miséria. Não há como exigir de uma criança o esforço físico de um adulto. É desumano querer que ela sacrifique uma época de sua vida, que deveria ser dedicada ao estudo e ao lazer, para ajudar os pais a colocarem comida na mesa. Uma criança que trabalha não pode estudar nem brincar, e seu desenvolvimento físico e emocional pode ficar prejudicado pelo cansaço e pela tristeza de não poder ser como as outras crianças, que, nessa idade, brincam e vão à escola.

A Turminha vem chamando atenção para esse problema. Para se acabar com a fome e a miséria, é preciso começar impedindo que as crianças deixem de ir à escola e fiquem nas ruas pedindo esmolas ou trabalhando em situações degradantes. O trabalho infantil tira delas a oportunidade de se tornarem cidadãs integradas à sociedade, de exercerem seus direitos e contribuírem para o bem comum.

Melhoria salarial - Outra forma de acabar com a miséria é dando empregos bem remunerados aos pais dessas crianças que deixam a escola para trabalhar. Muitos chegam em casa exaustos, após um longo dia de trabalho, e, por mais que se esforcem, não conseguem pagar todas as despesas da família, pois o que ganham é insuficiente. Por isso, aumentar o salário mínimo e fiscalizar as empresas para que elas cumpram as leis trabalhistas também é uma forma de acabar com a fome e a miséria.

Hoje já existem algumas políticas governamentais voltadas para o combate à fome e à miséria, mas elas sozinhas não bastam, pois muitas crianças morrem antes de chegar à idade escolar por causa de doenças que poderiam ser facilmente evitadas como, por exemplo, a diarreia, a desidratação e a pneumonia. Se em todas as casas houvesse água tratada e sistema de escoamento de esgoto, muitas mortes poderiam ser evitadas.

Mortalidade infantil - As crianças que moram em regiões onde não há saneamento básico (serviço público de tratamento de água e esgoto) estão sujeitas a contrair várias doenças infecciosas. Isto porque a água não tratada, que acaba sendo utilizada para beber, cozinhar ou tomar banho, pode estar contaminada com vírus e bactérias que afetam principalmente os bebês e as crianças menores, que ainda não possuem muitas defesas no organismo.

A desnutrição infantil também pode ser evitada com políticas de apoio às mães gestantes e às crianças nos seus primeiros anos de vida. Muitas delas não conseguem atendimento nos hospitais públicos no momento que precisam e nem têm condições de pagar por planos de saúde privados. Como prevenir essas mortes precoces se o nosso sistema de saúde pública não funciona corretamente? Esse também é um grande problema brasileiro: as falhas no atendimento à saúde pública, principalmente às crianças e mães, antes, durante e após o parto.

A amamentação também é muito importante para evitar a desnutrição infantil e proteger a saúde do bebê, pois a mãe transmite, junto com o leite, todos os anticorpos que ela adquiriu ao longo da vida contra várias doenças. A lei já prevê que as mães trabalhadoras possam amamentar seus filhos durante os primeiros seis meses de vida, mas a licença maternidade obrigatória é apenas por quatro meses, e são poucas as empresas que concedem os seis meses às suas funcionárias.

Proteger as mães e os bebês e dar a estes vacinas e alimentação saudável é uma tarefa não apenas das famílias, mas também do Estado. O Estatuto da Criança e do Adolescentes diz, no § 3º do art. 8º, que “incumbe ao poder público propiciar apoio alimentar à gestante e à nutriz [mulher que amamenta] que dele necessitem”.

A desnutrição infantil, além de tirar muitas vidas, tem prejudicado o desenvolvimento físico e mental das crianças. Nesses casos, elas ficam com baixa estatura e podem até ter dificuldades de aprendizado se o cérebro não receber os nutrientes necessários para a formação dos neurônios, as células celebrais.

Educação de qualidade - Mas as políticas públicas voltadas para as famílias pobres não podem ser apenas as de melhoria da renda dos pais e da obrigatoriedade de frequência à escola e aos postos de saúde para tomar todas as vacinas. Alimentação, saúde e educação são o básico, mas é preciso também atentar para o tipo de ensino que as escolas públicas estão oferecendo às crianças mais carentes. Elas vêm de famílias que, em geral, não frequentaram a escola por muitos anos, e que, por isso, não conseguem ajudá-las com seus deveres de casa, como os pais que concluíram a universidade. Então é comum que os alunos mais pobres tenham dificuldade em acompanhar o que está sendo ensinado na escola e, por isso, precisem de mais atenção do professor.

Para que eles tenham chances de continuar os estudos e competir no mercado de trabalho em condições de igualdade com as crianças das classes média e alta, precisam de reforço escolar e de bons professores.

Como se pode ver, acabar com a fome e a miséria não é tarefa fácil, pois é necessário que o Estado brasileiro tome várias medidas para melhorar a renda das famílias, dando empregos e salário mínimo maior e oferecendo cursos de formação profissional para os jovens e adultos, boa educação nas escolas públicas, acesso a serviços de saúde pública de qualidade e saneamento básico em todas as regiões do país.

Combater a fome e a miséria depende da ação conjunta dos governos municipal, estadual e federal. A educação básica, por exemplo, que inclui o ensino fundamental e médio, depende muito dos investimentos feitos pelas prefeituras e pelos estados na construção de escolas, na contratação e formação de professores. Já o ensino superior é, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de responsabilidade do governo federal.

O dinheiro dos nossos impostos - Se o dinheiro dos nossos impostos não for empregado corretamente, não haverá melhoria na qualidade da educação e saúde públicas no Brasil. E o prejuízo maior será das famílias pobres, que são obrigadas a recorrer a esses serviços, pois as famílias de classe média e alta ainda conseguem pagar planos de saúde privados e escolas particulares para seus filhos. Mas isso não significa que elas também não sejam prejudicadas, pois acabam pagando duas vezes pelo mesmo serviço. Primeiro, os impostos ao governo e, segundo, as mensalidades aos planos de saúde e às escolas dos filhos.
 

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